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InspirAÇÕES: servidor converte interesse pelo envelhecimento em pesquisa

Olhar sensível gerou trabalho acadêmico. Alguns interesses chegam sem fazer alarde. Não nascem de um plano de carreira nem de uma oportunidade profissional. Surgem de uma conversa, de uma convivência, de uma inquietação que insiste em permanecer. Foi assim com Luiz Eduardo Alves de Siqueira, servidor do Tribunal de Justiça de São Paulo. Muito antes de o envelhecimento da população brasileira ocupar espaço nas políticas públicas, nas campanhas de conscientização ou nas discussões sobre acesso à Justiça, ele já se fazia perguntas sobre o tema. A convivência com pessoas idosas da família despertou uma curiosidade que, aos poucos, deixou de ser apenas interesse pessoal e passou a orientar escolhas profissionais, pesquisas e anos de estudo. "Eu sempre tive contato com pessoas mais velhas e gostava dessa proximidade. Então, quando foi publicado o Estatuto, me veio a ideia de escrever um livro sobre o tema", conta. O impulso foi imediato. Em poucas semanas nasceu Estatuto do Idoso de A a Z, obra que continua sendo atualizada e em breve chegará à quarta edição. Naquele início dos anos 2000, discutir envelhecimento ainda era pouco comum. O Estatuto da Pessoa Idosa tinha acabado de entrar em vigor e havia pouca literatura especializada disponível. Enquanto o tema ainda dava seus primeiros passos no debate público, Luiz Eduardo decidiu aprofundá-lo. No mestrado, realizado na Universidade de São Paulo (USP), dedicou a pesquisa aos Conselhos de Idosos. "Era difícil encontrar referências, pois esse era um campo que ainda estava se formando", recorda. A dissertação, orientada pelo professor Sedi Hirano, foi publicada em 2008. Luiz Eduardo Alves de Siqueira ingressou na Justiça paulista em 1992, como escrevente técnico judiciário do extinto 2º Tribunal de Alçada Civil, onde permaneceu até 1996. Naquele ano, deixou o serviço público para atuar como advogado e retornou ao TJSP em 2005, também como escrevente técnico judiciário. Paralelamente, construiu carreira como professor universitário, levando para a sala de aula a experiência acumulada no Judiciário e os estudos sobre a legislação voltada à população idosa. Ao longo dos anos, acompanhou uma mudança que vai além da própria carreira: o envelhecimento deixou de ser um assunto restrito a especialistas para tornar-se um dos grandes desafios sociais do país. "O Brasil está envelhecendo rapidamente, mas ainda enfrentamos dificuldades em áreas essenciais, como saúde, trabalho e previdência. E muitos idosos ainda não conhecem plenamente seus direitos", afirma. Para ele, ampliar o acesso à informação e fortalecer políticas públicas são passos fundamentais nesse processo. "Todos esperamos ficar velhos, mas com saúde e com voz na sociedade", ressalta. Junho, mês de conscientização sobre a proteção da pessoa idosa, chegou ao fim — período em que o Tribunal reforçou essa pauta com iniciativas como o apoio à campanha Junho Violeta e a criação do Comitê de Atenção às Pessoas Idosas. A trajetória de Luiz Eduardo mostra que esse compromisso também se constrói com a contribuição de pessoas que colocam seu conhecimento e sua experiência a serviço da instituição e da sociedade.
01/07/2026 (00:00)
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