Papo de Museu promove reflexão sobre Justiça Epistêmica e Direito à Memória
Leandro Guedes compartilha sua experiência na área de museologia
A ideia de que todas as pessoas e grupos sociais têm o direito de produzir, compartilhar e ter seus conhecimentos reconhecidos forma o conceito de Justiça Epistêmica, cada vez mais inserido nas discussões contemporâneas. Pensando na importância desse debate em espaços culturais, o Museu da Justiça do Rio convidou o museólogo Leandro Guedes para participar nesta quarta-feira, 20 de maio, da primeira edição do programa Papo de Museu, intitulada “Justiça Epistêmica nos Museus: O Papel do Museólogo entre Acervos Etnográficos e o Direito à Memória”.
A iniciativa, que ocorreu na sala multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, integra uma série de ações da 24ª Semana Nacional de Museus. Em 2026 ela propõe a reflexão sobre o papel dos museus nas sociedades atuais por meio do tema “Museus: Unindo um mundo pidido”.
Atualmente no Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), Leandro compartilhou suas experiências na área de preservação da memória e saberes tradicionais, principalmente de povos indígenas. Ele refletiu sobre estetização e descontextualização de acervos etnográficos, que muitas vezes transformam objetos sagrados em meros itens visuais, enquanto deixam de lado as violências sofridas e lacunas em sua documentação histórica.
Durante sua fala, Leandro levantou questionamentos acerca da legitimação de fontes de conhecimento dentro dos museus. “Quem tem direito de produzir conhecimento dentro do museu? Quem nomeia os objetos e escreve as fichas? Quem interpreta os acervos e decide o que pode ser visto e deve ser protegido? Na minha percepção, trata-se de um processo de deslocamento e atribuição de valor que vai reconfigurar os significados desses artigos.”
O museólogo também apresentou documentações de uma experiência em campo que estuda o povo Tanaru, mostrando a relevância da preservação da cultura material, não somente do objeto em si:
“É preciso enfrentar o modelo de estrutura de grande parte da museologia ao longo de todo o século XX e do século XXI. Nesse modelo, o museu se torna uma instituição cética e quase mecânica, que retira o objeto de um contexto sem a atribuição de valor devida. A tarefa é revisitar criticamente essa prática.”
Diretora do Museu da Justiça, Silea Santa Rosa Macieira, apresentou o Papo de Museu
Papo de Museu
O programa tem a finalidade de promover encontros periódicos que incentivam o diálogo entre o Museu da Justiça, instituições de memória e pesquisadores das áreas de museologia, patrimônio e memória. A diretora do Museu da Justiça, Silea Santa Rosa Macieira, compartilhou os objetivos por trás da iniciativa: “Nós queremos que o nosso museu alcance além dos muros do seu próprio prédio, indo para outras posições, trazendo pessoas de fora e colocando em evidência pautas relevantes.”
DA*/IA
*Estagiário sob supervisão
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ