Programa Rio Lilás leva respeito e igualdade de gênero à Escola Municipal Senador Corrêa
Alunos de escola municipal em Laranjeiras se reúnem com magistrados em mais uma visita do programa Rio Lilás
Uma aula de cidadania, respeito, igualdade e não à violência contra a mulher. Na roda, meninos e meninas entre 10 e 11 anos do 5° ano tiveram uma aula diferente na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto, na Escola Municipal Senador Corrêa, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio: foi o Projeto Rio Lillás, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que promove debates sobre violência doméstica, respeito, igualdade e direito das mulheres, que chegou para os alunos de uma maneira descontraída e que conta com a presença de magistrados do TJRJ.
Logo no início, o escritor e contador de histórias Marcelo Correia conversou com os estudantes sobre diferença de gênero, as cores rosa e azul desmitificando que elas não são nem devem ser exclusivamente de meninas e meninos.
Meninas jogam futebol: siiim
Assim, contando e perguntando sob olhares atentos se meninas podem jogar futebol e meninos ajudar nas tarefas domésticas, Marcelo foi construindo uma narrativa para mostrar que todos são iguais perante a sociedade e não se deve ter preconceito. E a plateia disse um sonoro siiim!
O contador de histórias falou um pouco do seu livro “As Escolhas de Gustavo”, que conta a história de um menino que, ao se permitir chorar, recebe do pai um abraço, provando que meninos também choram.
"Muita coisa a gente ouve dizer. Mas, no fundo, o que importa é a gente ser feliz, fazendo do mundo um lugar melhor" disse o escritor.
Rio Lilás completa um ano
Lançado em agosto de 2025, o Rio Lilás é uma iniciativa da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), do TJRJ. A ação já percorreu persas escolas municipais, em parceria com as Secretarias de Educação e de Políticas para Mulheres, promovendo conscientização e orientação sobre direitos.
A iniciativa tem também o objetivo de plantar uma semente de conscientização sobre a violência doméstica e familiar contra meninas e mulheres, por meio do Conexão TJRJ na Escola, integrado ao Rio Lilás, construindo uma cultura de paz entre a infância e a juventude.
Magistrados participam
Difícil afirmar se quem se pertiu e gostou mais do encontro com os alunos da escola foram os estudantes ou os magistrados. Os olhos de um lado brilharam tanto como do outro, quando a juíza Érica Bueno, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Belford Roxo, começou a falar com os estudantes. Uma cena arrancou risos quando a magistrada falou sobre o município onde atua e perguntou se alguém o conhecia.
"Ali as ruas têm muitos buracos. A senhora não resolve isso?", perguntou um.
A juíza, então, disse:" ah.... isso é com a prefeitura"! E todos caíram na gargalhada e um empurrava o outro dizendo, "olha, ela resolve outras coisas!"
A magistrada destacou a importância de atuar preventivamente no enfrentamento à violência de gênero.
"Como juíza do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, eu vejo que a gente atua num viés muito repressivo, de punir os casos de violência doméstica. Mas com o Rio Lilás a gente traz uma prevenção, uma conversa para as novas gerações refletirem, pensarem em questões de gênero, na tentativa de realmente prevenir que aconteça. E em algumas visitas que eu pude fazer nesse um ano de projeto, eu vejo que os alunos realmente pensam, eles saem dali com pelo menos uma sementinha para conversar com colega, realmente tentar mudar a situação que a gente vive hoje", afirmou a magistrada.
Juiz destaca respeito e dignidade
Logo após, foi a vez de o juiz Rafael Santana Garcia, titular da 1ª Vara Cível de Belford Roxo e juiz auxiliar da Vara Infância, da Juventude e do Idoso de São Gonçalo, quebrar a imagem e romper barreiras: de toga, ele colocou uma flor atrás da orelha e assim ficou durante toda sua apresentação, conquistando os alunos com sua fala sobre respeito, dignidade e igualdade.
"Na fase das crianças, como elas ainda estão na plenitude da fase de desenvolvimento cerebral, a meu ver esse é o local ideal para que a gente possa construir esse cenário de informação e emancipação. O sentimento que fica é do que conseguir trazer para a escola o novo papel e o significado de justiça, que é o de orientação e atribuição de ferramentas para a resolução desses conflitos pelas próprias pessoas e não necessariamente por um juiz", disse o magistrado.
Empolgadíssimo com a aula de cidadania, Kaíque Wenny, de 11 anos, até "ganhou", por alguns minutos, a toga do magistrado. E desfilou pelo colégio com sua nova vestimenta.
"Eu achei esse encontro muito bom, muito produtivo. Meninas jogam futebol e usam o que quiser e podem fazer o que quiser. Para mim não tem diferença alguma entre meninos e meninas, completou o aluno.
Comitiva do CNJ
Uma comitiva do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que está fazendo uma visita técnica sobre o combate à violência contra as mulheres, participou do projeto na Escola Municipal Senador Corrêa e foram recepcionados pela diretora da unidade, a professora Ester Machado.
Estiverem presentes ao evento, a juíza auxiliar da Presidência do CNJ Suzana Massako; a juíza auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Roberta Ferme; a presidenta do Comvido e servidora do TJRR, Aurilene Moura; a juíza do TJMT Ana Graziela Vaz de Campos Alves Correa; o juiz do TJMG Marcelo Gonçalves de Paula; o juiz do TJGO Vitor Umbelino Soares Junior.
PF/IA
Fotos: Kaique Galiza/TJRJ