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Museu da Justiça promove encontro para valorizar a história das mulheres quilombolas

Figuras maternas não apenas cuidadoras, mas referências de força e caráter. O protagonismo e as trajetórias de mulheres negras nos quilombos foram o centro da oficina “Tecendo Memórias: Mulheres Quilombolas”, realizada nesta quarta-feira, 17 de junho, na sala 118 do Edificio Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, pelo Educativo do Museu da Justiça, por meio do Programa Saberes Integrados. O encontro contou com a participação de integrantes do programa Jovem Aprendiz, do Instituto Brasileiro Pró-Educação, Trabalho e Desenvolvimento (ISBET). Os arte-educadores Vinícius Soares, Lívia Prado, Izadora Alves e Maria Júlia Torres coordenaram a atividade.   A arte-educadora Lívia Prado contou a trajetória de três líderes femininas dos quilombos, Dandara, Aqualtune e Acutirene, e ressaltou que, além delas, inúmeras outras mulheres foram fundamentais para a resistência quilombola, mas sofreram um processo de apagamento histórico. Segundo ela, as mulheres ocupavam nos quilombos um papel de guardiãs de saberes.  "Eram mulheres que pensavam, que organizavam, que planejavam. A mulher estava ali de uma forma muito ampla, tanto pelo comportamento quanto pela atitude de liderança", afirmou.  A atividade incluiu a exibição de uma entrevista com dona Eva, líder quilombola do Quilombo da Rasa, em Armação dos Búzios, para contextualizar as múltiplas dinâmicas dos territórios quilombolas.  A obra Parede de Memória, da artista Rosana Paulino, serviu de inspiração para a oficina. A partir dela, os participantes produziram colagens e pintura para homenagear mulheres emblemáticas de suas histórias, construindo um arquivo afetivo que articulou narrativas pessoais e coletivas. Na capa de um dos arquivos, desenhos de Jovelina Pérola Negra ilustravam histórias sobre a força da avó e da mãe.  Um dos participantes, Guilherme dos Santos, refletiu que a convivência em um lar composto exclusivamente por mulheres foi determinante para sua formação.  "Meus pais eram separados. Eu cresci em um lar só de mulheres. Eu vejo minhas tias, minha avó, minha mãe como referências. Elas me ensinaram a ser quem eu sou hoje, e tudo que eu faço na minha vida, eu sempre penso e tenho elas para me aplaudir", afirmou.  No fim, os integrantes do ISBET visitaram a exposição “Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência”.  VS/IA  Fotos: Felipe Cavalcanti/TJRJ  
17/06/2026 (00:00)
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