Justiça decreta prisões e bloqueia bens em caso de roubo de medicamentos oncológicos
A 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou uma série de medidas cautelares no âmbito de investigação que apura a atuação de uma organização criminosa especializada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos de alto valor, com atuação vinculada ao Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. Foram presos preventivamente Fernanda Rodrigues França, Stefano Montovani Fernandes e Umberto Xavier de Lima.
As investigações apontam que o grupo criminoso atuava de forma estruturada, com pisão de funções, emprego de armamento e posterior inserção dos medicamentos roubados no mercado por meio de empresas localizadas em diferentes estados, utilizando mecanismos de receptação qualificada e lavagem de dinheiro. Há ainda indícios de adulteração dos medicamentos, circunstância que, de acordo com a investigação, potencializa os riscos à saúde pública.
De acordo com o processo, a quadrilha é suspeita de integrar esquema responsável por sucessivos roubos de cargas de medicamentos desde 2023, sempre com características semelhantes, como a abordagem de veículos em vias expressas da capital e o transbordo da carga para comunidades dominadas pela facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré.
A investigação teve como ponto de partida o roubo de uma carga de medicamentos oncológicos em 31 de janeiro de 2026, na Linha Vermelha, quando o motorista foi rendido por criminosos armados e obrigado a seguir até a comunidade da Maré, onde a carga foi descarregada por mais de 15 integrantes da organização. Durante a ação, segundo o relato da vítima, os criminosos chegaram a oferecer participação no esquema em troca de informações privilegiadas sobre futuras cargas.
Segundo a decisão judicial, os elementos reunidos ao longo da investigação indicam a existência de uma organização criminosa altamente estruturada, responsável por persos roubos de cargas de medicamentos de alto custo. Apenas os casos já identificados provocaram prejuízo estimado em mais de R$ 22 milhões às empresas vítimas, além dos potenciais impactos à saúde pública decorrentes da possível adulteração e comercialização irregular dos produtos.
Processo n° 0054002-04.2026.8.19.0001
SV/ SF